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terça-feira, 17 de junho de 2014

SOMOS TODOS FEITOS DE ESTRADA





Feitos de caminhos e pedras distantes.
Sopros empíricos.
Naufragados no mar do desespero fatídico.
Pisamos nas estradas sorrateiras do solavancar do instante.
Pisamos no piche fresco que nunca se cansa em ser pisado.
Um calor desgraçado.
O solo arenoso que parece matar o deserto de enxaqueca.
Uma luz braba de se perecer em meio aos faróis incandescentes.
Feito de mármore em cadeia ao saber que tudo se foi aos meus recantos lúdicos.
É piso molhado que é fácil de escorregar.
É obra de um acaso sem semblantes de opções de furiosas meninas em pleno rasante.
Em uma orquestra de sorrisos.
Beijos molhados.
E falar um pouco demais da conta.
É uma expressão capaz de ressoar nos antigos saberes de todos os casais remuneradamente espertos.
Em que o dinheiro não satisfez todas as economias da casa.
Somos necessitados de calma.
Somos um pouco desorganizados com relação ao tempo.
Um pouco oprimidos na verdade.
E que aquela estrada que me derrete em meio ao calor dos verões infernais.
Me faz virar piche no deserto.
Cantarolando antigas canções das meretrizes propostas.
De me meter nas estradas.
Sacudir um todo.
E me deixar sem ar.


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