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quarta-feira, 21 de maio de 2014

E AQUELA RUIVA?



Artista: Aracy / Feira Livre Pernambuco /Pintura, 50x40cm


Você sabe aquelas feiras de bairro, né? Não sabe? Ah, mas duvido! Sabe sim! Você não vive só nas boates em estilo Rei do Camarote que eu sei! Então, sabe aquelas feiras de bairro? Os feirantes ali, todos na correria. Gritaria de um pra comer pastel ali, um gritando João Neto e Frederico lá do outro lado, a mãe gritando pelo amor do Santo Daime, cadê meu filho, e quando acha da uns belos tapas nele...Enfim, essa é a feira. Uma análise bem mal feita, superficial pra cacete, mas minha crônica não é sobre a feira em si (para os feirantes de plantão, estarei devendo uma crônica mais aprofundada sobre vocês, aguardem!), na verdade, estou aqui para falar de uma ruiva...


Artista: Alice X. Zhang (silverge) 


Não esperava que durante um simples passeio numa feira de bairro, tomando uma coca e observando o movimento local eu fosse encontrar uma ruiva cujos traços delicados, de perturbadora calma, fosse me fazer uma vontade de escrever essa crônica. Não sei se isso é crônica ou confissão. Mas, o que seria da crônica sem a confissão de uma mera vivência de caráter subjetivo?


Segundo um amigo, isso é culpa do COSMOS. Não sei se é cosmos, mas sei que foi a coca-cola mais demorada que já tomei na vida, pois ela me chamou muita atenção. 


É, realmente muito incômodo alguém ficar te encarando. Mas, dessa vez eu não resisti. Não conseguia desviar o olhar, mas não por falta de tentativa. Tinha o cheiro do pastel, a mãe gritando pelo amor do Santo Daime, 5 filmes por 10...tanta coisa pra se prestar atenção...Mas, e aquela ruiva? Eu não conseguia desviar a atenção. Um All-Star preto frouxo, uma calça jeans azul claro, uma camiseta branca estampada com a foto de Chaplin, o cabelo preso, e sua máxima atenção de sua sede pela coca.


Ah, se eu fui falar com ela? Não! Apenas cheguei a levantar meio corpo da cadeira, pois surgiu do nada, do breu, do lençol freático, a figura com ares de raiva da mãe dela. Tinha um cabelo vermelho tomate respingado do prato do Spoleto. Ela já me encarou, como se fosse um aviso para não chegar perto.


Sentei-me na cadeira. Pedi a conta. Fui tomar o restante da coca, mas já estava quente. 

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