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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

PrOSoPoPÉiAS DA RaZÃo: SEU VÍCIO EM MIM!






PABLO RODRÍGUEZ GUY - "Memoria viajera", 1999
pigmento - acrílico - collage, sobre madera, 80x100 cm.






Caro apaixonado,


Eu sei que você me desejou por diversos momentos na sua vida. Me desejou com aquela sede insaciável, que nem a mais refrescante das águas minerais te saciava. Nas festas, no café da manhã, almoço e janta, até nos bares e casamentos...você me queria. E, mesmo assim, você ainda me culpa, por eu ser seu vício.














VAZIO TRANSCENDENTAL




SÉRIE - PrOSoPoPÉiAS DA RaZÃo

SEU VÍCIO EM MIM!










Você tem medo de me pagar, me consumir e pegar doenças. Eu sei. Você tem medo que eu tenha algo de estranho dentro de mim. Você tem medo de pegar através de mim uma paralisia muscular, e que eu possa aumentar sua pressão arterial. Você também tem medo de se sentir fragilizado e ter uma osteoporose e também, um câncer.



E mesmo assim você me deseja...



 Tive inclusive vídeos pelos quais eu luto para retirarem da internet pelo direito de preservar minha imagem. Me filmaram sem a menor permissão, sendo usada como simples objeto, como uma simples amostra. Estou triste. Muito triste. Mas não peço para você gostar de mim. Não peço nem para me pagar e me ter como algo de prazer durante aquelas horas fatídicas de sede. De intensa sede. 


Sou seu vício. Sou sua pior inimiga. Sou sua fonte inesgotável de prazer e altas taxas de glicose no seu sangue. Eu sei que você quer me tomar por inteira. E mesmo assim, me critica e coloca na sua lista de final de ano, como uma inimiga de estado que deve ser extirpada à partir do dia Primeiro de Janeiro de qualquer ano. Você sempre diz que estarei fora da sua vida, e, muitas vezes, você voltou atrás, quase pedindo desculpas esfarrapadas, e veio logo me pegar. 


Você nunca resisti. Sempre estou trincada. Congelada. Estou deliciosa. Sei que de vez em quando, seu dinheiro acaba, e você paga alguma outra mais barata, cujo os nomes são estranhos, e você as consome por inteira, escondido no banheiro, e finge ter o mesmo prazer que você sente comigo. Sei bem esses nomes. Sei bem o quanto você paga por elas, e sei bem a sede que você não mata ao pegar em cada uma e se deleitar com elas dentro da sua boca. 


Mas...quando você está com dinheiro, vem atrás de mim. Você vem me pagar para adquirir meu trabalho e o que farei com a sua sede? Irei extirpa-la, novamente. Irei afagar cada segundo do seu instante te trazendo prazer. Descendo lentamente. E você diz que nunca mais vai me largar. E eu também concordo.


Outra coisa, caro apaixonado, quando quiser me encontrar. Vá em cada esquina que estarei te esperando. Pode ser numa boate, em algum bar ou boteco de segunda. Você poderá me encontrar, às vezes, com um preço diferenciado, mas dependendo da sua sede, conversando com o dono do estabelecimento, poderá barganhar um pouco a sua miséria e me pagar. Você pode me encontrar também dentro de uma farmácia, onde estou praticamente todos os dias inteira e intacta. 


E quando me levar pra casa, sei exatamente onde você irá me colocar. Primeiro, você passará a mão por mim. E depois, me levará para a geladeira ou congelador, dependendo da sua sede. E depois, vai me consumir toda! Só não diga que eu sou a vilã, pois eu sempre te dei o maior prazer após as diversas refeições que você digeriu na sua vida. Por isso, me respeite mais e é isso!




Com muito carinho e amor!


Ass:

COCA COLA!

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

SUJEITO OCULTO


"Minha vida não é importante aqui" - Charles Manson


Artista: Marylin Manson



Eu não consigo resistir. Aquela ideia estava na minha cabeça há horas. Acho que Deus soube muito bem das consequências de nos criar. E soube muito bem da consequência de me criar. Essa nossa cidade fede. Esse nosso trânsito ensurdece minha alma. Vejo pobres fétidos caídos perto dos bueiros. Esse centro da cidade é a cara da insanidade. Pessoas com pressa, crianças chorando feito loucas, mulheres de saias curtas, mulheres de calça comprida. Mulheres. Mulheres. Preciso. Necessito. Eu quero. Vejo uma ali na frente.

Aquela mulher tem um cheiro diferente. Um cheiro libidinoso. Um cheiro que me cobiça uma abordagem instintiva. E a cidade ainda fede. Vou chegar nela, e sentir seu aroma e o gosto de pura libertinagem. Quero saber o que se passa entre as coxas, pés e peitos. Quero degusta-la a tal ponto, que eu possa saber o motivo da minha existência.

Tenho que me controlar! Meu Deus, tenho que me controlar! Mas essa cidade fede. Essas crianças choram. Esses fétidos estão pedindo esmola. E essas mulheres cheiram a puro prazer. Tenho ânsia por saciar esse prazer. Acho que vou fazer uma abordagem carismática. Não muito assustadora. Pedir informação de alguma rua? Essa cidade realmente é confusa. Morena, cabelo Chanel, um metro e...setenta e cinco mais ou menos. Busto memorável. Pela pressa, o andar desajeitado, olhar perdido, respiração ofegante e uma pasta na mão, digo que tem uns vinte e dois anos. Principalmente pelo busto e pelas suas pernas.

Se Deus teve um acerto, foi na criação da mulher. Não para ter a procriação e toda essa porcaria de constituição familiar. Ela foi criada para o mundo ter um pouco de prazer. Elas, que soam tão perfeitas, necessitam que sejam levadas ao extremo carnal para estarem acima de todo qualquer sofrimento. O meu prazer é a sua dor. A sua dor. Simplesmente. É. Meu. Prazer. Toda minha angústia. Toda minha raiva. Esse mundo de merda. Saciado pelo prazer da carne. Da carne daquela mulher. Daquela. Mulher.

Estou seguindo ela como uma presa fácil. Eu necessito daquele busto. Eu necessito de interpretar aquelas coxas e analisar suas sintaxes. Necessito entender sua boca e sua linguagem com um sujeito indeterminado. Quero que ela sinta prazer e eu continue sendo um sujeito oculto. Quero que ela veja que o amor é mesmo um verbo intransitivo, e não um acontecimento pré-selecionado por Deus como um transitivo direto. Quero saciar essa minha fome. Quero ter o cheiro dela na minha pele. Quero ter o seu perfume de carne por entre minhas mãos. Quero coleciona-la como um frasco raro. Como uma flor perto de toda merda e chorume de cidade. Enquanto muitos tentam a vida correndo atrás de sonhos, eu corro atrás de não me sufocar com essa merda de população. Mas ela vai estar na minha coleção. Eu vou trata-la como uma oração subordinada, e que ela seja minha presa substantiva sob meu olhar subjetivo.

Estou chegando perto. Estou mais perto. Estou quase lá. Derrubo uma pasta na qual ela está carregando. Peço desculpas. Ela diz que está tudo bem. Estamos agachados pegando documentos. Le*****. Vinte e dois anos. Acertei na idade. Ela está com pressa. Eu estou com pressa. Estou a desejando. Já a ouço gemendo canções de Dionísio. Já a desejo e foda-se o resto. Pergunto para onde ela está indo. Entrevista de emprego. Aonde? Numa empresa de consultoria midiática. Que horas você sai? As três da tarde. Posso pagar um café como pedido de desculpas quando sair? Já disse que está tudo bem, e tenho namorado. Eu não podia deixar escapar fácil assim. Oh, minha caceta! Não posso deixa-la escapar fácil assim. Vou ter que usar o método mais difícil. Começo a seguir. Cento e seis passos na minha frente. Vira á direita. O sinal está aberto. Ela está impaciente. Corre para a quadra ao lado. Prédio Rui Barbosa.


 Ela sai às três da tarde. Deve pegar o mesmo ônibus. Eu pego meu carro. Ofereço carona. Se não aceitar? Sigo o ônibus. E quando parar, vou ter que usar meu método inconsequente. Ela vai continuar sendo meu objeto da oração que tanto pedi a Deus, e eu serei ainda o sujeito oculto da situação. Meu mais novo frasco. Letícia. A ideia estava na minha cabeça há cinco horas. Finalmente um novo frasco. Le*****. Não posso resistir.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

AQUELA MÚSICA QUE NÃO CANTAMOS



De todos os dias que se foram.
Aos vãos fui acolhendo saudades.
Pois de nada me adiantaria renegar a tristeza de me bastar.
Mas a simplicidade de me fazer cantar.
Aquela canção na qual não cantamos.
Me ludibriou a te esquecer.
Pois tomamos outros caminhos
De outras situações e realidades que nos cercam.
Você ai.
Eu aqui.
E a canção não vingou...





VAZIO TRANSCENDENTAL

AQUELA MÚSICA QUE NÃO CANTAMOS






Eu te digo mais ou menos assim. Pode ser em meias palavras, entre eiras e beiras, entre a primeira vez que nos encontramos naquela feira, ou algo assim.

Já não restavam dúvidas que nossos olhares não se encontravam. Talvez por receio de não prestarmos atenção em mais nada. Talvez por receio? Talvez pelo momento? Será? Será mesmo que engasguei com minhas próprias palavras ao te ver? 


Não irei falar das nossas conversas. Pelo menos, eu, cansei de repetir as mesmas histórias que trocamos em cartas.


 E as suas cartas?


 Minhas sinceras desculpas. Elas molharam em um domingo no qual me esqueci a data. Fui atrás, recolhi e deixei secar. Somente depois fui perceber que elas necessitavam da água, pois comecei a sentir falta das palavras que foram levadas com a chuva.


Eu já te disse várias vezes e ouvi de você o dobro. Poderíamos ter aqueles sonhos mais duradouros perante nossos dias. Eu gostaria de te ver cantar, sim! Mas, foram apenas dois dias...


Eu te mostrei alguns escritos. Você falou brevemente de seus planos. Não contamos piadas. Não falamos merdas ao vento. Não olhamos o bastante um para o outro. Não acredito que você sumiu assim, e tão rápido assim, entrando de alguma forma em minhas canções.


Não costumo escrever prosas como as suas. Me desculpe se ela está mal estruturada, ou mal escrita. Eu vou esperar uma resposta sua...


Como em um antigo alô aos grandes méritos do seu falar mineiro. Eu te digo que não sou mais aquele que vivia entre as sombras. Entre as inseguranças de se manifestar. Hoje estou! E nada mais...


Então, eu vou fazer a música. Quero ouvir de sua voz, aquela feminilidade que combina em um tom certo para um dueto. 


Mas, o que importa no momento é essa saudade. Nos restam apenas memórias daquele dia. E quero ouvir uma resposta sua, caso queira cantar, algum dia, aquela música que não cantamos...


E algo mais...





terça-feira, 17 de junho de 2014

SOMOS TODOS FEITOS DE ESTRADA





Feitos de caminhos e pedras distantes.
Sopros empíricos.
Naufragados no mar do desespero fatídico.
Pisamos nas estradas sorrateiras do solavancar do instante.
Pisamos no piche fresco que nunca se cansa em ser pisado.
Um calor desgraçado.
O solo arenoso que parece matar o deserto de enxaqueca.
Uma luz braba de se perecer em meio aos faróis incandescentes.
Feito de mármore em cadeia ao saber que tudo se foi aos meus recantos lúdicos.
É piso molhado que é fácil de escorregar.
É obra de um acaso sem semblantes de opções de furiosas meninas em pleno rasante.
Em uma orquestra de sorrisos.
Beijos molhados.
E falar um pouco demais da conta.
É uma expressão capaz de ressoar nos antigos saberes de todos os casais remuneradamente espertos.
Em que o dinheiro não satisfez todas as economias da casa.
Somos necessitados de calma.
Somos um pouco desorganizados com relação ao tempo.
Um pouco oprimidos na verdade.
E que aquela estrada que me derrete em meio ao calor dos verões infernais.
Me faz virar piche no deserto.
Cantarolando antigas canções das meretrizes propostas.
De me meter nas estradas.
Sacudir um todo.
E me deixar sem ar.


quarta-feira, 21 de maio de 2014

E AQUELA RUIVA?



Artista: Aracy / Feira Livre Pernambuco /Pintura, 50x40cm


Você sabe aquelas feiras de bairro, né? Não sabe? Ah, mas duvido! Sabe sim! Você não vive só nas boates em estilo Rei do Camarote que eu sei! Então, sabe aquelas feiras de bairro? Os feirantes ali, todos na correria. Gritaria de um pra comer pastel ali, um gritando João Neto e Frederico lá do outro lado, a mãe gritando pelo amor do Santo Daime, cadê meu filho, e quando acha da uns belos tapas nele...Enfim, essa é a feira. Uma análise bem mal feita, superficial pra cacete, mas minha crônica não é sobre a feira em si (para os feirantes de plantão, estarei devendo uma crônica mais aprofundada sobre vocês, aguardem!), na verdade, estou aqui para falar de uma ruiva...


Artista: Alice X. Zhang (silverge) 


Não esperava que durante um simples passeio numa feira de bairro, tomando uma coca e observando o movimento local eu fosse encontrar uma ruiva cujos traços delicados, de perturbadora calma, fosse me fazer uma vontade de escrever essa crônica. Não sei se isso é crônica ou confissão. Mas, o que seria da crônica sem a confissão de uma mera vivência de caráter subjetivo?


Segundo um amigo, isso é culpa do COSMOS. Não sei se é cosmos, mas sei que foi a coca-cola mais demorada que já tomei na vida, pois ela me chamou muita atenção. 


É, realmente muito incômodo alguém ficar te encarando. Mas, dessa vez eu não resisti. Não conseguia desviar o olhar, mas não por falta de tentativa. Tinha o cheiro do pastel, a mãe gritando pelo amor do Santo Daime, 5 filmes por 10...tanta coisa pra se prestar atenção...Mas, e aquela ruiva? Eu não conseguia desviar a atenção. Um All-Star preto frouxo, uma calça jeans azul claro, uma camiseta branca estampada com a foto de Chaplin, o cabelo preso, e sua máxima atenção de sua sede pela coca.


Ah, se eu fui falar com ela? Não! Apenas cheguei a levantar meio corpo da cadeira, pois surgiu do nada, do breu, do lençol freático, a figura com ares de raiva da mãe dela. Tinha um cabelo vermelho tomate respingado do prato do Spoleto. Ela já me encarou, como se fosse um aviso para não chegar perto.


Sentei-me na cadeira. Pedi a conta. Fui tomar o restante da coca, mas já estava quente. 

sexta-feira, 28 de março de 2014

CAFÉ SEM GLÓRIA






Memória.
Casta memória.
Memorando a glória.
Suportando a dor para se chegar a glória.
Glorioso ofuscar das imagens.
Originou o prodigioso ofuscar das imagens.
Imaginando a função da mente.
Desencadeando a imaginação à favor da mente.
Mentindo para si mesmo na expectativa das proezas grotescas.
Desequilíbrio de si mesmo nas proezas grotescas.
Influenciando suas questões de amores castrados.
Um grande mal na proibição da união de amores castrados.
Orgulhosos manifestantes da arte de amar.
Mas não tão orgulhosos nas tristezas de não saber a arte de amar.


Café.
O mérito do café.
Santa magnitude das abrangências da fé.
A postura da fé.
A onipotência de se manter no poder da santa sé.
E eu bebo desse café.
Mas não sinto o doce do açúcar.


Ignorância.
Abrangência infindável da ignorância.
Na qual invade inapropriadamente e causa angústia.
Somente tomando doses de verdade para desconduzir a angústia.
Angustiado coração que não se atreve se submeter a castidade.
Tomando diversos amores sem destino, sem se submeter a castidade.
E ainda não sinto o doce do açúcar.


Café amargo.
Bebo desse café amargo.
Experimento o ardor de seus sentimentos platônicos.
Pobres seres que sentem as angústias dos sentimentos platônicos.
Pois de todo amor que se entregam diante o invisível destemperado.
Sofrem demasiadamente devidas circunstâncias do invisível destemperado.
E ainda não sinto o doce do açúcar.

quinta-feira, 6 de março de 2014

A RESSACA DO SEU OLHAR LIBIDINOSO, MEU AMOR!





Sou um desses seres que rastejam em forma de praga.
Procurando palavras para suprir dessa tal serenata.
E que vi tantos pularem o carnaval com uma mini aguardente três e cinquenta.
Não que eu seja um hipócrita lançador de venenos ludibriados pela falsa sensatez.
É merda, é o acaso. É alcunha de invalidez.
Quando a sua poesia...
Transformou-se na mini aguardente de três e cinquenta.


Fiz uma canção para você.
Ficou bonita por demais.
Gravei em estúdio, em bom som.
Com os acordes no tempo certo.
Sua ressaca é demasiadamente exagerada, meu Amor!


Enquanto engolia sob festas bacanais de alcoólatras sinceros.
Me via solitário regendo uma canção para atos menos pecaminosos. 
Não que beber fosse algo novo para mim.
Mas seu beber se enchia sob uma perspectiva sem fim do libidinoso.
De seu desejo incessante de um olhar que não pude enxergar por falta de palavras.
Mas descobri que o bacanal era o que te esperava, meu Amor!


Enquanto vomitas em outros colos.
Proclamas versos a outros solos.
Eu faço canções despercebido, como um miserável implorando ajuda.
Mas de tão bonita canção, todos cantavam.
De tão sincera emoção, alguns até perguntavam:
Por quê ainda a chamas de Amor?


Não percebendo tal loucura na qual havia se instalado em meu ser.
Já soube por várias vezes o quão é uma merda sofrer.
Não conseguia te ver caída nesse caos da qual você proclamava poesia de um open bar.
Não me envolvi em paixões dilaceradas de alucinantes ternuras.
Percebi o quanto relutei nas noites sem primazias, sem ter tal presença sua.
Como se Bento fosse traído de forma cruel, com uma pitada de sal e a numerologia de Escobar.


Mas essa música já está feita.
De alguma forma ela é sua.
Mas de seu olhar libidinoso para a ressaca, me fez largar.
Desse meu êxito em poder um dia te almejar.
Irei agora te esquecer em um canto qualquer.
Vendo seu olhar misterioso se apagar.
E a ressaca do seu coração atacar seu fígado e alma.
Meu amor!


Você não contentava em cair nas tentações.
Mas cai com ar de graça.
Enquanto canto para uma multidão que gostou de certo refrão.
A melodia que fiz acreditar nesse ar de sua graça.
Uma ressaca melancólica do seu corpo, que antes era tão lindo.
Agora está falindo aos poucos.
Por favor olhos de ressaca.
Por favor!
Fique em seu próprio pranto.
Me afasto.
Te amei.
Mas não te amo.
Mas te chamei
...
De meu AMOR!






segunda-feira, 3 de março de 2014

SALA DE JANTAR


Ah! Aquela sala!
Cheias de lembranças e pratos quebrados.
De conversas afiadas em versos sólidos.
Será um verso meu?

Lembranças do copo vazio.
No qual certo alguém bebeu.
Um pouco do líquido corroído.
Será um verso meu?

Não senti o gosto daquele andar.
Nem daquela sala de jantar.
Mas menti para mim mesmo sobre o lugar.
Será um verso meu?

Nada de mais ocorreu.
Um simples jantar vazio e pronto.
A comida vazia que se tornara grandiosa.
Nas rimas sem rimas daquele dia.
Será um verso meu?

Não sei mais nada.
Sei apenas sobre aquela sala.
Mas me pergunto até agora.

Se todos esses versos são meus.

RETRATO DE GINEVRA DE´ BENCI



Autor: Leonardo da Vinci


Para onde vai seu olhar?
Em cada canto de seu exemplar?
Em sua pele pálida.
Colocada pela sutileza sublime.
De um gesto frágil firme.
De um semblante eupátrida.

Eu entendo esse seu olhar.
Eu entendo essa angústia do seu não falar.
Pois sua imagem está parada em um sentimento nostálgico.
De maneira que lhe causou dor.
Por ter de se afastar do seu Embaixador.
Desse seu amor angustiado de extrema rigidez aristocrático.

O seu olhar está contínuo?
Ou está na mais firme posição de tentar achar algum antídoto?
Talvez esteja na mais completa fuga do destino.
De um sentimento antigo e melancólico.
De Da Vinci em sua textura dos grandes personagens históricos.
“Virtutem forma decorat”.

Em uma tela de grande amor.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A POEIRA DO HOMEM (UMA ANÁLISE CRÍTICA EXISTENCIALISTA)





PARTE 1
O homem e a sua insignificância







Daquela antiga pergunta que retalha o coração dos homens. Desde os mais humildes e simples aos carrascos de amargura: “Qual o sentido de nossa existência?”.

Somos produtos do meio. O homem, que vive há 200 mil anos, desenvolvendo-se em 50 mil o comportamento moderno, foi capaz de produzir as piores armas de destruição para o ataque ao semelhante carnal. Foi capaz de guerras envolvendo o planeta, por questões territoriais de grandeza. Tudo se é obra da espontaneidade biológica. O homem, apenas foi uma parcela da junção de moléculas e outras formas de vida que foram se adequando ao meio, se localizando em seu habitat, e evoluindo conforme sua espécie, conforme o seu grau de sobrevivência, tendo a lei do mais forte, as dos mais proeminentes para perpetuar a espécie. A pergunta não é o sentido, mas o porquê desse instinto de viver.

O homem é demasiadamente pequeno e insignificante. É demasiado arrogante. Nosso cérebro não está acostumado a lidar com a nossa insignificância e com a realidade da morte. O Universo é infinito de possibilidades. Somos uma inútil parcela tamanha as probabilidades de existência e outros múltiplos universos dos quais tanto se falam nas bases da física quântica. Criamos deuses e cristos. Criamos um deus humano, um deus que condena, julga, que ama, que perdoa e afaga os corações e acaricia o rosto dos depressivos necessitados de colo. O homem, para suprir de sua insignificância, criou Deus, para que pelo menos, algum ser além-carnal criasse a gente com finalidades, e que acabou suprindo a nossa carência da falta de um pai social, um pai coletivo.

“Pai nosso que estais no céu!” Como não ficar confortável perante alguma força misteriosa que nos olha entre as estrelas do infinito, a pueril Terra? Como não ficar confortável? Criamos as religiões para nos atentar ao placebo celeste. Necessitamos de santos para ficarmos mais equilibrados; necessitamos de Jesus Cristo para mostrar que até o divino sangra. Mas Deus necessita da gente, pois o que Ele seria, sem a existência humana? O que seria do divino, sem a fraqueza de nossa carne? O que seria do céu, se não existissem as condenações de nossas injúrias e paixões para o tão condenado inferno, onde seus círculos contam até nove perante nossas manifestações carnais e mundanas?


O homem é um ser insignificante que tenta achar respostas e atualizações de software na psique para buscar algo maior na sua mera existência. Alugamos este planeta, morreremos aqui, nos destruiremos, faremos sexo, anal ou vaginal, comeremos arroz ou feijão, e dormiremos em casa ou na rua. Estamos vivendo nesse planeta como forma de empréstimo, e pagaremos as contas com as nossas putrefações, tendo o homem, em diferenciação do animal nas questões de um pensamento contínuo, nas formas de raciocínio, da lógica, da filosofia, da sobrevivência e da crueldade, mas com o mesmo fim...............o pó!

 O nosso papel, não é descobrir o porquê de nossa existência, mas, termos humildade em aceitar o quão insignificante somos, e o quão “poeira” somos. Cabe a nós, apenas sobreviver nesse planeta, para não nos adentrarmos nas lástimas de viver enclausurados em um corpo, sendo que se quer pedimos autorização para virar feto, de uma manifestação espontânea sexual. A nossa função? Apenas viver de acordo com a sociedade em que cada um nasceu. Seguir suas normas. Adentrarmos em igrejas e missas, acreditar no pai celestial, e dormir para trabalhar segunda de manhã.

Beber com os amigos. Cuidar dos filhos. Pagar o aluguel. Transar no motel. Rezar na missa. Dirigir o carro. Comer. Defecar. Andar. Falar. Dormir. Ganhar dinheiro. Comprar. Politica. Economia. Ética e moral! Tudo isso sob as custas de nossa existência. Bem antes de existirmos não havia o mal, mas também não havia o bem. Havia a natureza em sua forma pura, sem deuses, igrejas, céu, inferno e sem a maldita pergunta:

Por quê existimos?