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sábado, 30 de novembro de 2013

ENSAIO SOBRE OS NOSSOS VAZIOS







Não irei soluçar expressões poéticas, de forma a declarar nossos vazios. Se sente coragem em expressar a frase "sentir vazio", é algo que se deve levar em conta a sua poesia. Não! Vazio não se pode ser comprovado. O vazio é apenas sentido. Não irás interpretar poesia como se fossem técnicas laboratoriais de "como calcular e antever tais aspectos". Somos sonhadores por demais. Exigimos demais de todo mundo. E exigimos mais dos nossos corações, que além de pulsar, é alvo de eternas angústias sorrateiras. Exatamente aquelas que nos batem com frieza em uma madrugada de quinta. 




Vazio. Uma palavra tão forte, cuja marca registrada é "sentir o nada". Mas, como se sente o nada? Como se sente isso? Por favor, me mostre algum laudo médico, alguma assinatura de marcas laboratoriais. Me diga que tudo isso é imensidão e que tudo irá passar. Me diga que irá passar. Como as ressacas do mar além do adiante. Como as chuvas intensas que inundam a cabeça de nossas próprias ilusões, cheias de diversas óticas inacreditáveis de sentir certas demagogias ou verdades. De nossas próprias solidões...




É tudo verdade. O vazio está aqui. Está por inteiro. Está cheio de cinismo. Está cheio de esperanças que esperamos ser alimentados com o afagar de nossos cabelos. O beijo esperado. O abraço apertado e sincero. Sentimos perdidos nas nossas próprias cóleras e ainda nos pedem para comprovar nossos abstratos? O que sentir desses abstratos?




O pôr do sol deveria ser mais belo. A vida deveria ter mais sentido. Aquela chuva deveria ser mais calma. O retrato deveria ser mais expressivo. Nossos sentimentos deveriam ser eternizados. Essa busca por nós mesmos nos alimentam certas incompreensões, certas angústias de viver enclausurado nesse algo que não existe, e que cabe no tamanho de cada um de nós.




Sejamos sinceros. Vazio é por si só uma poesia. Com palavras jogadas aos ventos e, se der sorte, fará sentido, e, se dar mais sorte ainda, fará da nossa alma a mais incompreensível de todas, pois lidamos com esse buraco localizado em regiões de sentimentalismo intenso.




Como comprovar nossos vazios? Materialmente? E se esse vazio for transcendental? Teremos que sair do corpo para arranca-lo em uma luta que será entregue em vão no primeiro round?



 Nossos vazios são assim. Somem. Aparecem. Deixam marcas. Certas lembranças. Certas conquistas. Paixões de platônicos desejos de se sentir semeado com a estrutura dos "nascidos sem vazio". A nossa única chance, é trata-lo como poesia. Não sair declamando por ai como poetas sem causa.




E sim, compreendermos nossos limites.




E aceitarmos essa condição de poeta sem comprovação dos vazios.




É isso...

Um comentário:

  1. Belo texto" Nossos vazios são assim. Somem. Aparecem. Deixam marcas. Certas lembranças. Certas conquistas. paixões de platônicos desejos de se sentir semeado com a estrutura dos "nascidos sem vazios". A nossa única chance, é tratá-lo como poesia." Parabéns amigo. Feliz noite e uma bela semana. Abraços.

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