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segunda-feira, 13 de maio de 2013


MISANTROPISMOS







Colocação sufixal de uma intoxicação ardente.
Isocategorial?
Não! 
Real e ativo proeminentemente.





Sofremos por demais nas ocasiões inesquecíveis, inerentes.
Inóspitas.
Insalubres.
Sobressalentes aos olhares dos admiradores.
Orquestradores nos calabouços supremos do ódio.
Rancores fixos de janelas laterais.
Primatas habilitados em se comunicarem com os demais estranhos.





Precaveu-se dos usos e desusos dos sentimentos.
Sentiu-se enfático ao dizer que amava o mundo.
Viveu ao todo para contar histórias.
Fingiu-se de morto para provar que estava vivo.





Orgasmo itinerante com base nos gemidos terrestres.
Tragou-se linear a fumaça à beira pele.
Ergueu-se o mundo como inventava-se a si mesmo.
Fez-se cinema para registrar a violência.
Fez-se sangue quando amar já lhe era impossível.





Bebeu loucura para se fazer entendido.
Cortou a juventude para escorrer o passado.
Feriu o pensamento mais antigo para se parecer moderno.
Pintou-se o nada para se parecer contemporâneo.





Matou Deus para que ele parasse de intrometer em sua vida.
Parou de rezar para que o placebo não fizesse mais efeito.
Viu que o pecado na essência é humana e não possessão do inferno.
E que o céu é a própria consciência depois de algumas garrafas de vinho.





Caluniou injúrias proferidas a si mesmo.
Lamentou-se quando a escrita fugira de seu domínio.
Por não escrever algo mais tranquilo.
Pois as frases pareciam surgir de um túmulo qualquer.
Se corroendo no agora.
Para se abastecer talvez no futuro.
Na provável oração de um qualquer hino editorial.
Para se aprender a amar o próximo.
Quando deixarmos de nos fantasiar como humanos.
E de viver na misantropia dos principados...

...e potestades.




quinta-feira, 2 de maio de 2013

O PALHAÇO ESTÁ FUMANDO





E que entrem os palhaços.
Dê-me um gole de conhaque.
Para a piada parecer engraçada.
Pois a criançada já não sabe o que é se ter mais graça.
Nesses dias de insanidade.


Os palhaços estão se aposentando.
E os sorrisos estão buscando auxílio desemprego.
Pois a roupa colorida não alegram mais os olhos sofridos.
Pois a piada sem jeito.
Ficou sem rumo durante tantas guerras.
Com tanto sangue ao invés de tinta vermelha.


Se algum dia o sorriso de Chaplin desaparecer.
Declararei a morte da esperança.
Espero que Woody Allen não entre em depressão.
E que a juventude atual saiba se posicionar contra as dores agudas do câncer social.
Pois os palhaços já estão fumando.


Medo de palhaços?
Não entendo.
Sempre fizemos o esforço em te agradar.
E, mesmo chorando, vocês riam de nossas lágrimas.
Pois eram verdadeiras.
E inocentes perante a chuva.


Mas assassinos vestiram nosso traje para matar.
E assumiram nossas identidades como perversos.
E viramos apenas símbolo do McDonald´s.


Dê-me mais um copo, e, dessa vez, uísque.
Dessa vez para amargurar um pouco.
Pois de risadas já fomos feitos.
E estamos sendo decompostos por ela.


E que entrem os palhaços.
Estamos perdendo o jeito depois de tanto tempo.
De tanta crueza.
Viramos artesanatos para festas.
E nosso riso?
Já se considera algo animalesco.


E que o sorriso de Chaplin nunca morra.
E que Woody Allen não entre em depressão.
Eu, cá já estou fumando.
Para encher o meu pulmão de câncer.
No qual um dia respirei emoção.