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sexta-feira, 5 de abril de 2013

ARKHANGELSK

Arkhangelsk



Estou esperando um vento. Um sopro de brisa. Vinda do sul. Do norte. Do leste. Da puta que pariu. Estava esperando uma ideia. Um acaso. O divino, talvez. Cristo, Buda, Alá, Odin, Macedo em uma Ferrari. Uma percepção. Uma mulher. Uma francesa fã de Dostoiévski. Uma Russa fã de Nietzche. Uma inglesa apaixonada por Jorge Amado. E eu aqui perdido no Centro-Oeste.

Mas não. O ônibus vai passar daqui alguns instantes. Não irei esperar mais nada. O sol está escondido atrás de uma nuvem em formato de sei lá o que, e a chuva vai passar longe desse horário, de acordo com a previsão do tempo feita por uma jornalista parecida com a Bridget Fonda, no jornal local. É manhã. 9:30 de acordo com o horário de Brasília. Será que alguma coisa poderia acontecer nesse horário? Alguma coisa que fizesse tudo parar. O mundo. A respiração. Uma ejaculação. O choro de alguma criança mimada querendo jogos para Playstation 3. O projétil em direção a uma criança com um balde de água em algum lugar da África Subsaariana...

Nada...Nada acontecia. Gostaria muito de ter a Milenka ao meu lado. Nunca vi uma russa falando português na minha vida. Nunca. Ela adorava literatura alemã, e vinhos franceses. E eu. Bom, estou no meio do cerrado, contrariado com a existência de se estar no centro do Brasil. Longe de tudo. Perto do longe. Dois anos atrás fui para a Rússia. Meu inglês não é muito fluente pela falta de viagens e práticas, sendo minhas aulas, os diálogos do Dr. House. E não. Também não falo russo. E, por quê Rússia? Bom, li Dostoiévksi, Léon Tolstoi, e sou fã de Andrei Tarkovski, nível Godard e Kubrick. Bom, não são motivos para ir a Rússia, mas, sei lá...Eu sempre achei que poderia encontrar Raskólnikov em algum canto de São Petersburgo. Não encontrei. Encontrei por lá Milenka. Bom, pra quem ainda não caiu em sono profundo, Milenka parecia ter saído de algum conto russo. Era doce como a Liza de Karamzin e Sônia, a salvação de Raskólnikov. Nascida em Arcangel (ou Arkhangelsk). Não sabia o que era até eu a conhecer. Veio para o Brasil ficar com seus familiares que fugiram da Guerra Civil Russa, acho que no ano de 1919, e cá residem até hoje, sendo que sua mãe mora atualmente no Rio Grande do Sul, e seu pai, talvez em São Paulo ou São Petersburgo, ninguém sabe. E, com 21 anos...voltou pra São Petersburgo estudar Línguas Orientais (????). Nossa mano, Línguas Orientais. Pode crer.

Eu a encontrei em um bar qualquer de Snt. P. Eu estava com mais vodka na veia do que sangue. Ela veio, começou a conversar comigo, e não entendia coisa alguma. Eu devo ter respondido algo em inglês. Ela me respondeu em Russo. Eu falei algo em português. Ela me respondeu em português. Pronto! Devia ter bebido tanto que estava entendendo tudo em português. Conversamos um pouco, e vi que eu realmente não estava tão bêbado ou louco. Logo, pude ver que ela era a mulher de contos de algum canto enigmático e animador russo. E, logicamente, estou pensando nela, esperando um ônibus, em plena segunda feira, aqui nessa capital com cara de interior. E...


...oh bosta, a jornalista sósia da Bridget Fonda errou a previsão. Vai chover pra cacete hoje.





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