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sexta-feira, 8 de março de 2013

POESIA QUE NÃO ESCREVI





As palavras soavam como cânticos.
Mas a escrita relembrou um estilo russo arcaico.
Pois de sentimento havia muito.
E as palavras me faziam estranho.


O verso estava pronto.
Cada rima em determinado ponto.
Em determinado tema.
Pois foi-se a hora da escrita me parecer solene.
As letras do português me fugiam como um louco presente.
Para me apresentar um dinamarquês ininteligível.


Cada verso estava totalmente feito.
O inverso do perfeito.
E estaria assim...pronto meu livro.
Mas não tive a palavra certa.
Talvez nem a escolha correta.
Para essa tal poesia existir.


Talvez me faltou um beijo daquela...
O olhar de alguma outra...
Ou a chuva de segunda.


Talvez não assisti todos os filmes franceses.
Nem degustei todos os chás ingleses,
Para essa tal poesia existir.


Mas escolho o tempo como tempo.
Mesmo que todos idiomas me soem estranhos.
Para escrever o tal poema.
Talvez não devorei todos os clássicos.
Desde Dostoiévski aos feitos de Heráclito.
Ou umas ideias soterradas da Capadócia.


E então...
A palavra me some.
O russo arcaico, dinamarquês dinâmico...
Ou chinês prosaico,
Não me fazem entender.
Mas, o sentimento me vem.
Como fotografia do além.
Para alguns versos se fazerem formar.
E existir. 

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