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quarta-feira, 13 de março de 2013

CHORO JUGULAR





Pretendo estabelecer novas metas.
Ressuscitar antigos poetas.
Quando a poesia não vir.
Para transpor o intransponível em letras.
Forçar um sorriso, lágrimas de tristeza.
No rimar perante a confusão do porvir.


Pretendo ver novos olhares.
Amanhecer no amar sem o escravizar dos desastres.
De se fazer feliz falsamente com o outro.
Pois o contador de piadas foi embora faz tempo.
Sua risada continua ecoando em uma escala ou em algum vento.
E eu perdido no presente instante de um sopro.


Sofri das recaídas alcoólicas do teu corpo.
Embebeci pelo seu olhar, certo carisma e enigmático dorso.
Sendo que a tristeza veio antes da tempestade.
Sua lágrima me caiu como depressão dos grandes ensaios.
Ou dos pequenos lagos.
Sendo no final das contas sua lágrima...
Apenas uma lágrima.
Em alguma cidade.




Solucei perante versos enigmáticos de sua voz.
E matei cem mil demônios.
Cortando a jugular de cada um.
Deixando o sangue espirrar longe além das flores.
Enquanto eu sorria sob o sofrimento deles.
E o sangue jorrando perante várias jugulares.


E cortaria mais para ver se o sangue de fato era real.
Se minha risada de esplendor pelas inúmeras mortes de demoníacos sentimentos.
Valeria a pena pelo teu contato.
Sendo que o sangue de fato era verdadeiro.
E o teu olhar ao longe.
Com todo o sangue nessa estrada, correndo.


Confundi o que senti.
Confundi o amargo e o alegre.
A serpente da espécie.
E o espinho perante a flor.


Se é falta de amadurecimento.
Se é deficiência de minha parte.
O olhar verdadeiro se perdeu para sempre.
Nessa atual confusão do meu dia.
Sendo que o sangue ainda está em minhas mãos... puta agonia.
Tentando me exorcizar pelos antigos tempos.


Implorei para que o teu gesto desaparecesse de minha percepção.
Mas o seu sorriso viciante, neste gesto alcoólico da solidão.
Vinho tinto, sangue e saudade.
Cem mil corpos.
Sangue.
Saudade.
De te ver.
De não te ter.
Por você.


Costelas fraturadas de infância.
Cortes cicatrizados pela adolescência.
E muitos perdidos na fase adulta.


E de seus olhos que me cegaram a realidade.
Pelo teu dançar que encantou o olhar poeta de uma geração.
Do encarar pelo simples brincar de alguma razão.
Ou ainda, o olhar que me destruiu no passado.
Construindo um futuro.
Que me parecia admirável.
E menti para as mentiras que se passavam por mim.
Como as mais belas verdades.
Foi-se um ano inteiro de certa vida.


E lutei.
Fui atrás de algo do qual poderia me conjugar como verbo.
Ou, pelo menos, como ser válido.
Trabalhei sobre minhas normas factuais.
Limpei o sangue que me havia feito estranho.
Um porta-voz das soluções da solidão.
Dos demônios que matei.


E ganhei com o trabalho.
Seiscentos e sessenta e seis reais.
E alguns trocados.
Para pagar a conta de luz, água...
E hostilidade.




O passado dos olhares disfarçados de compreensíveis.
Ainda me pegam desprevenido nas noites de insônia.
Gritos das jugulares cortadas por mim.
Com o sangue em minha cama.
Sangue de princípios exacerbados.
De sofrimentos qualificados.
Como representações do exagero.
E infantilidade hostil.
Como se brincadeiras fossem feitas de desespero.
E sangue jugular.


Transpor em papel o sentimento de mais ou menos um ano.
Um ano e meio.
Sendo as cicatrizes ainda doentes pela minha falta de cuidados.
E...
...porra!
Seu rosto me vem como fantasma de hoje.
Fantasma que não morre.
E ressurge em corpo.
Em tamanho real.
Em cabeças cheias de grito.
E não tenho nenhum calmante.


Se sua voz viesse com os acordes de um vento.
Me deixaria falsamente calmo por um momento.
Por eu ser meio escatológico por inteiro.
Na vontade de ser vários poetas no livreiro.
De ser aplicador do soro fisiológico da saudade, como eu sendo meu próprio enfermeiro.
Nas palavras que invadem esta folha de incertezas.



Mas cansei de toda essa tirania contra minha cabeça.
Pois a força do hábito em ter tua presença.
É vinho.
É pedra.
   É cura que se pede.
        É água que não seca.
            É sede que não cessa.
                É presença que marca.
                     Insanidade é minha faca.


E a escrita é o que me resta.



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