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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

SOMOS LEGIÃO

Pois somos muitos...



Parece cocaína.
Mas é tristeza esfarelada.
Agridoce.
Mas tão certo quanto erro de ser barco.
Sem velas.
Sem motor.



E quando o sol nascia na janela do seu quarto.
Aquele gosto amargo do seu corpo.
Ficava na minha boca.
Por tempo em que o seu cheiro.
Se esqueceu de modo forte e lento.


E fiquei pensando.
Se o que foi escondido.
Se escondeu entre um tempo.
Um tempo de alguma tarde.
Que gostaria de descansar.
Para não se ser mais um animal sentimental.
Ou um mero metal.
Entre relâmpagos.
E certos trovões.



Decidindo estar entre a cruz...
E uma Winchester 22.
Entre assistir um filme do Godard...
Ou andar no parque da cidade.



E eu dizia se ainda era cedo.
Se o tempo perdido se perdeu entre algum tempo.
Desse animal sentimental de se sentir só.
E...quem me dera.
Se o mais simples fosse visto.
E se o mundo não fosse doente.




Ficar de tarde descansando.
Vendo se o vento ainda estava forte.
Se fazendo de tudo para esquecer.
De um tempo que ainda não fora...
Esquecido.



E eu dizia, seriamente, de que tudo isso que sinto.
São sentimentos que chegaram bem cedo.
Cedo pra desgraça.
Pois a ferida não machucou.
Mas deixou cicatriz latente.



Entre minhas estátuas.
Figuras do senhor em paredes pintadas.
Ninguém sabia o que diabos aconteceu.
Se algum tormento na cidade tomou conta da roconha.
Entre algumas percepções de papoulas da Tailândia.
Que me fizeram um puta mal.
Me deixando distraído.
Impaciente.
Indeciso.



Mas, agora...
Ahahahaha..
Agora estou diferente.
Tranquilo.
Contente.
Com decisões tomadas sobre tudo.
Necessitando de atenção.
Pois antes,
Não sabia quem eu era.
Sabendo apenas em qual mundo não me pertencia.



E eu queria beber.
Eu queria beber.
Alforriar dessa escravidão pelo outro.
Mas não tinha dinheiro.
E todos meus amigos.
Estavam distantes.
Procurando emprego.



Voltei a viver.
Como a dez anos atrás.
E a cada dia que se passava.
A cada cavalo marinho que eu lhe mostrava.
Era, quase sem querer.
Um tempo sem volta.
Sem rumo.




Mas...




Quando me disseram que você.
Despencava em choros.
Eu percebi.
O quanto te queria.


E se fiz tudo pra te esquecer.
Se deixei a onda me acertar.
Não foi proveitoso.
Não dilui o amargo do teu corpo.
Apenas tudo se fez segundos.
Em algum amanhã que não há...
De um tempo.
Que se foi...


Um comentário:

  1. Arrasou...Forma inteira..nata...voltada ao tempo que não está perdido...Luz e asas !!!Beijos especial e belo poeta Alexandre Kenji!!!Sucesso!

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