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domingo, 24 de fevereiro de 2013

VISTA CANSADA.

Presbiopia.
Ou vista cansada.
Perda da elasticidade do cristalino.
Ou simples cansaço do mundo.
E rir de muito.
De exemplificar extremos.
De saber sorrir entre poucos versos.
E fazer-se depressivo quando todos se afastarem.
Ao longo de todos esses quarenta e poucos anos.


É falta do que chorar.
Sim, lamentar.
Lamentar para que todos possam chorar a sua volta.
Quando a sua piada fizer sentido.
Entre algumas gotas de sangue.
Ou de orvalho.


Sentir falta das marcas pisoteadas por antigos rumores.
Fazer-se cômico enquanto o tempo lhe esgota a alma.
Esgota as estações do ano.
Sendo a primavera transformada em outono.
Enquanto a última folha reluta em não cair.


É vista cansada de chorar para aqueles que nunca choraram.
Para trás.
Para frente.
Para o sul.
Para sempre.


É oração que não se fez sentido em fazer.
São pessoas confusas.
Causa confusas.
Não sabendo distinguir se o verdadeiro é o E
                                                                M
                                                                                B
                                                A
Ç
A
          D
O
Ou se minha vista está vencida.


E sendo assim.
Pisei na armadilha de certas pessoas.
Enquanto meu pé, preso as ferrugens gastas de suor passado,
Rastejei implorando paciência.
Para o sangue quente voltar ao corpo.
Para que a coagulação fosse rápida.
E minha vista voltasse.
Nas origens do ser.
No céu de algum notar.
Pelo amor, por Deus, pela vida...
Pelo altar.


Exemplificar maleável perante memórias gastas.
De tanto ser repassada entre um ou outro projetor.
Sendo o público alvo, crianças de colo sendo amamentadas.
Sendo subliminar o efeito dos fatos verdadeiros.
Para que o filme não seja falso.
E o futuro corrompido no 3D fantasmagórico.
Claustrofóbico.
Dessa vista.
Pouco vista.
E cansada.





terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Olhos Castanhos

(Sem imagens por falta de seu olhar por aqui...)


Não sabia se começaria com uma poesia.
Uma prosa.
Uma música do Legião.
Um filme.
Qualquer filme...
Um livro do Chico Buarque.
Qualquer livro...
Anna Karenina?
O guia do mochileiro?
Não sei.


Um som.
Uma luz.
Uma simples luz.


Não é tão fácil fugir.
Não é tão simples como parece.
E por isso as palavras me chegam com a memória de sua voz.
Da qual me recordo.
E que meu inferno quase me fez esquecer.


Não sei se seus olhos são de fato castanhos.
Tentarei algum dia te perguntar.
Mas é muito melhor tentar arriscar.
Enquanto eu me arrisco nessa escrita.


Espero que você alcance estrelas.
Espero que conquiste plateias.
E que carregue em sua bolsa outro livro.


Se falei se sumiria.
Foi desespero de minha percepção.
De não saber falar em partes.
Pois o texto é pouco.
E tua presença é muita.


E de seus olhos...
Não sei se tenho permissão em explicar.
Para os inúmeros cegos figurativos que não sabem entender.
Para os inúmeros analfabetos que não leem além de letras sem sentido.
Sobre seus olhos.


Olhar castanho.
(Espero que seja castanho).
Pois se eu estiver certo.
A noite me ajudou a te observar.
Sendo palavras.
Minhas palavras.
Para descrever.
Como a tempestade da música que chegou em teus olhos.
Com ares e cores.
Como filmes.
Como livros.
Como sensores.
Que talvez eu esteja certo.
Sobre seus olhos castanhos.

E se tudo isso foi vago.
Se tudo foi pouco.
Me perdoe.
Me desculpe.
Durma bem.
E...
Boa noite.





sábado, 16 de fevereiro de 2013

CORTE DA ALMA




Solo empobrecido pela falta de exímios nutrientes.
É dor da terra soerguida em solos recalcados e areia betuminosa.
Semelhança a sua presença e seus fatores geográficos.
Coloração escura frente às rochas de sentidos magmáticas.
É sentimento de tardes de nostalgia proeminentes.
É o doer da salivação pela espera de uma gota de água durantes as secas defasadas.

A pele sem apelos de toque ou sentimentos.
Significa agonia ou desespero do rir defasado.
Alegria da infâmia presente no sorriso traiçoeiro.
É marca registrada dos subterfúgios de palavras sãs, de cunhos tradicionais.

O gramado esverdeado da próxima mansão,
Serviriam de alimentação para seiscentos e sessenta e seis reis.
Serviria como degustação de carnes ao ponto do sangue fresco.
Do agudo sofredor.
Chamado eterno tempo.

A linguagem da prostituição no esquema da porta da esquina.
É linguagem utilizada por povos antigos.
De origens macedônicas.
Ou mesmo de outros sistemas.

Sabe-se lá composição química das coisas.
O cálculo articulista, articulado ou renal.
É sentimento de pureza impura.
Sentimento de raças superioras, arianas e imundas.
Para se opuser ao saber dos cortes profundos na sua boca até a sua alma.

INCERTEZA SENTIMENTAL




A noite que se tem certeza de sua existência.
Na cadeia semblante de inúmeras fraquezas.
Onde o pobre se fez fingir de rico para aplacar a dor.
A dor de se sentir só na manhã fria do dia.


Caminhos que levam torturas degradantes.
Cantarolando a noite inteira o breu e o fim.
Para terminar uma canção estridente.
Na dor em que todos sentem antes de partir.


Olhos de quem a esperança fugiu.
Para algum dia voltar.
Voltar para o coração vazio.
Voltar para sempre ficar.


O parto que se deu e a flor partida.
Aspecto presente de alguma fagulha de dor.
Embora acrescente luz a uma vida.
Vem profanando a dor entre poeiras e terras.


A aspereza dolorosa no psicológico esquecido.
É amostra da loucura de algum ser enjaulado.
Entre uma sociedade de máscaras feitas de algum falso moralismo.
Presente na boca, garganta e no olhar em que todos mentem.


O utilizar da palavra para o sofrimento urbano.
Onde todos se incluem em alguma lista malograda.
De ordem alfabética de erros sem pena.
Sem julgamentos e sem cortes.
Com os dementes sentimentais.
Longe de sentimentos e do verbo amar.


Olhos de quem a esperança fugiu.
Para algum dia voltar.
Voltar para o coração vazio.
Voltar para sempre ficar.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

SOMOS LEGIÃO

Pois somos muitos...



Parece cocaína.
Mas é tristeza esfarelada.
Agridoce.
Mas tão certo quanto erro de ser barco.
Sem velas.
Sem motor.



E quando o sol nascia na janela do seu quarto.
Aquele gosto amargo do seu corpo.
Ficava na minha boca.
Por tempo em que o seu cheiro.
Se esqueceu de modo forte e lento.


E fiquei pensando.
Se o que foi escondido.
Se escondeu entre um tempo.
Um tempo de alguma tarde.
Que gostaria de descansar.
Para não se ser mais um animal sentimental.
Ou um mero metal.
Entre relâmpagos.
E certos trovões.



Decidindo estar entre a cruz...
E uma Winchester 22.
Entre assistir um filme do Godard...
Ou andar no parque da cidade.



E eu dizia se ainda era cedo.
Se o tempo perdido se perdeu entre algum tempo.
Desse animal sentimental de se sentir só.
E...quem me dera.
Se o mais simples fosse visto.
E se o mundo não fosse doente.




Ficar de tarde descansando.
Vendo se o vento ainda estava forte.
Se fazendo de tudo para esquecer.
De um tempo que ainda não fora...
Esquecido.



E eu dizia, seriamente, de que tudo isso que sinto.
São sentimentos que chegaram bem cedo.
Cedo pra desgraça.
Pois a ferida não machucou.
Mas deixou cicatriz latente.



Entre minhas estátuas.
Figuras do senhor em paredes pintadas.
Ninguém sabia o que diabos aconteceu.
Se algum tormento na cidade tomou conta da roconha.
Entre algumas percepções de papoulas da Tailândia.
Que me fizeram um puta mal.
Me deixando distraído.
Impaciente.
Indeciso.



Mas, agora...
Ahahahaha..
Agora estou diferente.
Tranquilo.
Contente.
Com decisões tomadas sobre tudo.
Necessitando de atenção.
Pois antes,
Não sabia quem eu era.
Sabendo apenas em qual mundo não me pertencia.



E eu queria beber.
Eu queria beber.
Alforriar dessa escravidão pelo outro.
Mas não tinha dinheiro.
E todos meus amigos.
Estavam distantes.
Procurando emprego.



Voltei a viver.
Como a dez anos atrás.
E a cada dia que se passava.
A cada cavalo marinho que eu lhe mostrava.
Era, quase sem querer.
Um tempo sem volta.
Sem rumo.




Mas...




Quando me disseram que você.
Despencava em choros.
Eu percebi.
O quanto te queria.


E se fiz tudo pra te esquecer.
Se deixei a onda me acertar.
Não foi proveitoso.
Não dilui o amargo do teu corpo.
Apenas tudo se fez segundos.
Em algum amanhã que não há...
De um tempo.
Que se foi...


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

SÍNDROME DO PÂNICO

Pintura: Marilyn Manson


Medo de tudo.
Sem se ter nada.
É ausência esclarecedora dos esquecidos.
São causas variadas para se chegar a um mesmo tema.
A busca pela receita de uma bula, esquema.
De que o coração pulsa mais rápido.
Um medo. Um efeito químico. Uma síndrome.
Tratado como loucura de gente de má índole.
No aprimorar dos efeitos falecidos.
Ou no silenciar de um sociável pacto.

Os passos eram contados.
Contados.
Os passos.
Cada passo contado.
E alguém observava.
Alguém me observava.
Os passos.
Observavam.
Contavam.

A cada minuto... alerta.
Um sentimento de prisão sem aresta.
No alarde fantasmagórico dos minutos.
O medo abstrato como um sequestro.
De cortar meus dedos e mandar para o inferno.
Como oferenda à um demônio antigo.
Demônios da prisão.
Pânico.
Síndrome.
Segundos.

A atrofia dos meus nervos era a atrofia do meu pensar.
Atrofia no andar.
De se ter medo ao falar.
E os passos eram contados.
Contados eram os passos.
Contados eram os medos que me viam como alvo fácil.
Como alvo fácil.
Sem se ter em que se fixar.
Para continuar a andar em uma corda bamba.
Dos sentimentos vividos.

Medo de tudo.
Sem se ter nada por perto.
Sentimento de caos.
Tragédia.
Enquanto o coração acelera.
Enquanto a pupila dilata.
Enquanto me sobram arestas.
Da razão existir.

O tempo para de respirar.
Os ventos não sopram para aliviar angústias.
E a única proteção.
Eram as quatro paredes do inferno.
Onde a zona de conforto era quente.
E o mundo lá fora me era hostil.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Necessidade...



Madrugada...




Reluzente teu realçar unânime, compatível ao entardecer.
Cabelo curto. Sorriso único. Olhar singelo, ao anoitecer.
Vi seu rosto apenas uma única vez de perto.
Não sabendo compor palavras para traduzir o correto.
Do grande senso de esplendor em palavras.


Não aturamos desembarques.
Não aturamos despedidas.
Queremos apenas o sentimento.
Guardado com o apelo de momentos.
Filmes, livros, inverno.
Ou uma foto preto em branco.
Sem relento.
Sem inferno.


Uma necessidade.
Uma necessidade sua.
Quem lhe dera se mudar para o exterior.
França, Itália, Stratford e onde for.
No tocar de uma gaita desafinada por aventura.


No irritar dos vizinhos.
"Who´s playing this fucking harmonica"
E você com a ternura...
De se habilitar a aventurar-se em território estrangeiro.
Para mostrar-se ao mundo inteiro.
Seu olhar em palavras.. literatura!
Como ficar 12 anos em um único lugar.
Ou ser uma grande adoradora do frio, do céu...
E da chuva.


Necessidade.
Necessidade sua.
Caminhar sozinha.
Caminhar...
Sentir o frio no rosto.
E a brisa do mar.




Sentir o toque por perto.
Ao longe, ao tudo.
Um soneto.
Um verso.
Mas não consigo...








...estar à sua altura.









E que entre a dança.
E o seu ritmo.
De se tratar como uma adulta.
Ou a leveza de uma criança.
Tendo a maturidade reluzente em teus ombros.
E o encantar eterno pela tua calma.


A dança.
Sua dança.
Deixando seu "ser" apto a se receber cem por cento.
Tendo-se em mente ser uma grande garota com talento.
E de pouco se abranger nas palavras.
À beira estar...
...de madrugada.


Palavras surgiram nesta folha em branco.
Para colocar os sentimentos para com seu olhar.
Mas me faltam palavras.
Tudo me falta.
Tudo se é pouco.


Faltam... horas.
Faltam... valsas.
Falta Stratford.
Faltam morangos, madrugadas e estradas.


Falta a necessidade de tentar te compreender.
Mesmo, às vezes, não se permitindo conversar.
Sobre sua estrada.
Ou sobre seu encantar.
Do qual já falei.
Do qual ainda falo.
Que és mais linda com cabelo curto.
Que és adorável no sonhar.
No falar.
E no tentar dormir de madrugada.


E cá estamos.
Aqui.
De novo.
Sem sono.
Sem ritmo.
Apenas uma tela.
Uma tela fria.
Um "oi" de um lado.
Um "tudo bem" de outro.
Entre Clara Nunes, Celtic Music e Tennesse Williams.


Mas ainda faço questão de escutar.
O som do vento interiorano.
O sabor de morangos que te fazem encantar o paladar.
De te fazer sorrir.
Como a chuva neste momento a realçar.
Não apenas a sua essência.
Mas a minha falta de palavras,
Para descrever...

Seu olhar.





Seu olhar.






Seu..............Olhar!









terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A expressão

"I ...am... God"


Rosto pálido de expressão manequim.
Sendo o olhar fixo para o horizonte ao cair.
No chegar ao hospital ensanguentado dizendo ser Deus.
Ao som do horror animalesco de sua voz.

Força sobrenatural para um manequim.
Voz gritante e demoníaca para um Deus.
Criação psicológica esquecida.
Uma história, uma lenda, um susto.
Uma imagem, uma voz, um manequim.

Vivo.
Simplesmente vivo.
No qual arrancou parte da orelha de um médico.
Arrancou curiosidades virais das redes, como intermédio.
Para se obter o mecanismo explicador de tal foto.
Ou uma poesia que mal sabe compor palavras para aqueles olhos sem vida.

Uma expressão.
Apenas uma expressão.
Pálido, fantasma, anjo caído ou um louco transformista.

Uma expressão.
Apenas uma expressão...
De uma foto em preto e branco.
De médicos em prantos.
Pelo louco.
Transformista.
Ou uma falsidade.
Manequim.

No leito como mero paciente.
Na pele anêmica, vazia ou inconsciente.
Olhava para todos com uma tremenda calma.
Uma tremenda calma.
Um susto.
Uma foto.
Uma expressão...
Consciente.

Acostuma-te a viver...


Restam-me apenas memórias de antigos amores...


Entrelaça-me em teus abraços fraternos.
Abraça-me forte para que eu sinta o calor verdadeiro.
Para eu espalhar para o mundo inteiro.
Algum sentimento de amor em alguma canção.

Sinto-me perdido ao longe do verdadeiro.
Restam-me verdades.
Mentiras...
Restam-me apenas memórias de antigos amores.

E enquanto isso...
Ela espalha sorrisos para que a solidão do outro não seja igual ao dela.
Para que o frio não invada teu olhar de primaveras.
De folhas secas de outono.
Uma canção de alegria proposital.

Aventure-se nas artimanhas do viver.
Baste a expressão do ser.
E acostuma-te a viver sozinho.
Pois a noite está por vir.
O vento continuará no fluir.
Acostumando a ser sozinho.

Na maestria das ilusões passageiras.
Caminhe na areia do tempo.
Seja grão, seja terra, seja vento.
No eco de situações perdidas.
Enclausuradas em sua própria arritmia.
Desventuras em terras estrangeiras.

A neve caia com sublime canção.
Acostuma-te a viver.
Tantos amores, sofrer pelas dores e adeus fraternos.
Acostuma-te a viver.
Como a flor no campo esquecido.
Acostuma-te a viver sozinho.

Beijo no rosto.
A leveza da chuva no campo florido.
O tempo nublado no céu de Setembro.
A loucura de amar a utopia.
O amar, o não amar e o adeus ao mar.
Entre suas ondas.
Minhas ondas.

Canções.
Crônicas.
Poesias.
Ao longe.
Ao campo.
Ao infinito.
Acostuma-te a viver...

Ao todo.
A todas.
Ao mar.
Nas estrelas.
No horizonte.
No infinito.
A te encontrar.
Nesse viver.

Na preocupação de estar.
A expressão de ficar.
E aprender a viver sozinho...