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sábado, 7 de dezembro de 2013

O CÉU LÁ FORA...



Edward Hooper: A woman in the sun

Incluía nos seus sonhos ser perfeita.
Mas de seu estado melancólico viu-se sem letra.
E o acorde da melodia virou um vão.
Das manifestações sexuais de sua autoria.
Lançou a própria sorte o acolhimento de sua sabedoria.
O acordar do sonho de um ritual pagão.


De suas questões maiores.
A luz era o que você mais temia.
Pois até nas sombras você a enxergava.
E isso lhe trazia certos medos de se sentir sozinha.


Olhar pela janela ao tentar achar a própria expressão.
Pois de espelhos não se tem o reflexo da alma.
E despiu-se no sentir do vento em seu corpo.
E o calor do sol ser expressa no cigarro.


De sua estrutura magistral de antiga paixão.
Em desespero clamor de ato sem razão.
É fetichismo literário em arte solitária.
De sua nuca ensejada por beijos de carismas.
De seus peitos libertos, com toque de artistas.
É razão libertadora de sua arte cinerária. 


O céu azul é sinônimo de chuva.
Os verdes das ondulações é depressiva ternura.
De suas coxas expostas de maneira expressiva.
És um sol no quarto frio como a noite.
És boca ensejada nas agruras da foice.
E o sentir da melancolia na nudez esquecida.

sábado, 30 de novembro de 2013

ENSAIO SOBRE OS NOSSOS VAZIOS







Não irei soluçar expressões poéticas, de forma a declarar nossos vazios. Se sente coragem em expressar a frase "sentir vazio", é algo que se deve levar em conta a sua poesia. Não! Vazio não se pode ser comprovado. O vazio é apenas sentido. Não irás interpretar poesia como se fossem técnicas laboratoriais de "como calcular e antever tais aspectos". Somos sonhadores por demais. Exigimos demais de todo mundo. E exigimos mais dos nossos corações, que além de pulsar, é alvo de eternas angústias sorrateiras. Exatamente aquelas que nos batem com frieza em uma madrugada de quinta. 




Vazio. Uma palavra tão forte, cuja marca registrada é "sentir o nada". Mas, como se sente o nada? Como se sente isso? Por favor, me mostre algum laudo médico, alguma assinatura de marcas laboratoriais. Me diga que tudo isso é imensidão e que tudo irá passar. Me diga que irá passar. Como as ressacas do mar além do adiante. Como as chuvas intensas que inundam a cabeça de nossas próprias ilusões, cheias de diversas óticas inacreditáveis de sentir certas demagogias ou verdades. De nossas próprias solidões...




É tudo verdade. O vazio está aqui. Está por inteiro. Está cheio de cinismo. Está cheio de esperanças que esperamos ser alimentados com o afagar de nossos cabelos. O beijo esperado. O abraço apertado e sincero. Sentimos perdidos nas nossas próprias cóleras e ainda nos pedem para comprovar nossos abstratos? O que sentir desses abstratos?




O pôr do sol deveria ser mais belo. A vida deveria ter mais sentido. Aquela chuva deveria ser mais calma. O retrato deveria ser mais expressivo. Nossos sentimentos deveriam ser eternizados. Essa busca por nós mesmos nos alimentam certas incompreensões, certas angústias de viver enclausurado nesse algo que não existe, e que cabe no tamanho de cada um de nós.




Sejamos sinceros. Vazio é por si só uma poesia. Com palavras jogadas aos ventos e, se der sorte, fará sentido, e, se dar mais sorte ainda, fará da nossa alma a mais incompreensível de todas, pois lidamos com esse buraco localizado em regiões de sentimentalismo intenso.




Como comprovar nossos vazios? Materialmente? E se esse vazio for transcendental? Teremos que sair do corpo para arranca-lo em uma luta que será entregue em vão no primeiro round?



 Nossos vazios são assim. Somem. Aparecem. Deixam marcas. Certas lembranças. Certas conquistas. Paixões de platônicos desejos de se sentir semeado com a estrutura dos "nascidos sem vazio". A nossa única chance, é trata-lo como poesia. Não sair declamando por ai como poetas sem causa.




E sim, compreendermos nossos limites.




E aceitarmos essa condição de poeta sem comprovação dos vazios.




É isso...

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

FERRUGENS DAS CARTAS




Foto: Alexandre Kenji



Sua calma era itinerante.
Passageira.
Instável.
Fumegante...
De questões sóbrias. Sendo seu olhar invólucro de certa tristeza, vá saber Deus de onde. Você se comportava como bela escritora, em se tratando de verbos intransitivos e a inspiração de inúmero autores. Não a compreendi de imediato. Não soube sua expressão de ser. Não entendia aqueles seus olhares alternados com sorrisos de graça, dos quais só enxergava a própria graça em goles de vinho seco.


Cabelos curtos...

Gestos calculados...

Demasiadamente simples...

Demasiadamente pesados...




Me encantava com seus ritmos diferentes.
Seu cigarro era uma nota de vício. 
Sua bebida era meramente ilustrativa.
Seu corpo se correspondia com a sua fala.
Seu dia se tornou minha noite.
E me perdi nas palavras entremeadas de suas poesias...



domingo, 20 de outubro de 2013

AS TÚNICAS DAS CALÇADAS





Friso o tempo inteiro o instante.
Como o tempo que se passa perante as calçadas.
Com o compasso do tempo a passos largos
Nas ruas esquecidas desses locais.



O cimento misturado a angústia do minimalismo. 
O esquecimento e os passos dos caminhos já perdidos.
Foram se perdendo com a poeira das ruas.
E a alma dos esquecidos.



O canto daquele senhor estava tão triste.
Que de sua solidão de artista.
O tornava breve inventor.
Com suas palavras em canção.
E o vai e vem dos passos.



A túnica já levada pelo vento.
De uma mulher no seu relento.
Lembrava-me da loucura de sentidos da ternura.
Sendo seu sotaque algo longínquo e de outras terras.
O perfume das flores de suas fragrâncias eternas.
Fazia-se das primazias a sua própria postura.



De repente, outras túnicas foram sendo esquecidas nas calçadas.
As memórias eram alimentadas pelos cimentos de outras estadas.
E o cinza eterno dos cantos recolhidos eram sobriamente tristes.
Reluzente com o estado das cores selecionadas pelo caótico.
Caos dos futuros empreendimentos dos percalços escatológicos.
E o perfume daquelas que se foram e deixaram no ar essências plausíveis.



Procurei entre das várias túnicas.
O perfume daquela que amei.
Mas me perdi na calçada triste.
Entre as túnicas de tempos perdidos.
Sentado no calabouço de minhas memórias.
Eu mesmo era o senhor que cantava a solidão em meu nome.
Na solidão do artista.

PRESA CAPITAL




A camada da pele que subtrai substâncias.
Chama calada o ar que inspira.
Traga informações, contingentes para as células.
Corpo frio na febre sentida.





Corte fino para aproveitar a dor.
Derrama sobre a camisa branca de marca importada.
Pois de importância não sobrou tecido prestável.
Apenas a dor do sangue sentido.


Afiada a lâmina entristecida ao cortar.
A pele morta no colorir carismático.
Socialite faz dança para seu dinheiro voltar.
Empresário colarinho branco com doentio sorriso amarelo.


Assinatura canibal de presas capitais.
Sugerem a compensação de corpos na balança comercial.
Favorável na destituição de déficits de atenção...
De investimentos e indústrias...
Com hiperatividade.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

NEM BULA, NEM REMÉDIO





Cala-te o senso enaltecedor das gritarias.
Fez merda ao não escalar as escadarias.
São ritmos constantes de algum caderno.
Frio incólume, ignóbil, sofrível.
Claridade é algo irreversível.
São letras esquecidas em cantos do inferno.


Um grito é palavra não dita.
Um choro é sentimento sincero.
Uma noite é apenas solidão.
Das quais marcam as próximas orgias dos últimos instantes.


Soluçar é expressão da alma.
Quando a dor é tão forte e não se sente nada a respeito.
Não se mostra em laudos de exames médicos.
E não se alerta a chamados de medicamentos.


Nem bula.
Nem remédio.
O cais é o porto seguro do sufoco.
Silenciar as esplêndidas fixações futuras do socorro.
No despertar em um pulo no nada.
Sagacidade extrema em não ignorar a dor.
Espernear para descobrir o sangue da cor.
Que nos configura com o afiar da faca.

domingo, 11 de agosto de 2013

SUMMER 78



Boa viagem!



Recomenda-se ler com o áudio





Clarão de surdos se fez cego ao degustar o sabor vago de loucura.
Boca beijada sem ritmo frenético em singular soneto.
Sexo intercalado em suspiros embriagados nas canções da sonolência.
Cigarro tragado, bendita a fumaça, sonegada pelos pulmões.
Sentimento de saudade das conversas nas madrugadas vazias.
Solidão do meio dia na estética das noites de curiosas manifestações.













Letras engarrafadas jogadas nas marés do luar.
Sentimento incinerado no falar aleatório.
Crítica falada, bendita sua centelha.
Choro recém-nascido nos arredores da alegria ou na tristeza.
Na saúde ou na demência.
No soluço, na clareza.













Piano sentindo falta da canção de Yann Tiersen.
Consagrou-se fatal o ritmo em que as crianças crescem.
No solo mantido no coração da sala de estar.
Ventos sentidos na sua pele cor de menta em relação ao todo.
Saia dessa casca, dessa farsa, desse lodo.
Viva nos intensos brilhos da grandeza estelar.














Na emoção Summer 78 viu-se o grandioso.
Dessa ilustração de um grande segredo valioso.
Na partitura repleta de versos caídos.
De uma tristeza contínua, velada.
De uma nostalgia simples, simulada.
Nas notas do piano ao serem vividos.














Consagrou-se mar ao ver montanha.
Viveu sentido ao se ver na entranha.
Dessa vida única na qual estamos caminhando.
Sala vazia, piano solto, notas ao luar.
Sala vazia, piano claro, acordes ao flutuar.
Vão se perdendo, se perdendo, ao longe, remando.














Seguiu caminho ao perceber que tudo estava se tornando dor.
Sorriu quando a paisagem plana mudava de cor.
Paisagem como trilha sonora de causas espetaculares.
E segue-se perfeito o leito de sua expressão.
Como um hino claro de pura emoção.
O doce som dos lampejos oculares.














A música cresce aos poucos.
Como os primeiros passos de um ser.
Como no crescer das primeiras árvores.
Como o enaltecer da primeira flor.














Como seus olhos ao longe se despedindo.
Pedindo perdão ao não perdoado.
E lá se vai mais um caminho.
Lá se vai um amor em sons musicais.














Montanhas sentindo louvores.
O sol agradecendo a lua.
O amor despedindo da tristeza.
E a canção em um fator de perfeição.















E A EMOÇÃO EXPLODE
EXPLODE COMO O PRIMEIRO SENTIDO
COMO O PRIMEIRO ABRAÇO DO CANTEIRO ESQUECIDO.
NAS ARQUITETÔNICAS GLORIFICADAS DE SE EXALAR PÉTALA.
NA CONDIÇÃO HUMANA DE DESCREVER PEÇAS.
NO SOLUÇAR DA EXPRESSÃO PERFEITA DA MÚSICA.
E QUE VENHA A MÚSICA.
ABRANDAR O CORAÇÃO.
SERVIR DE CONSOLO AO POETA.
E, ao triste?
Uma generosa inspiração.

terça-feira, 23 de julho de 2013

PENSAMENTOS FRIOS DO SUL (Danças do Oriente)





Faz frio nessas paragens.
Faz frio o sentimento.
Pois coberto está pelas agruras de se sentir abster-se pelo nada.
Fazendo do vazio uma música que se deixa tocar nesses momentos de reflexão.
E daqui se faz tortura a alma que se fez viajante entre outros olhares.
E de um chimarrão que de sua cultura me trouxe a sensação quente.
E de minha poesia para as primazias da região.















Vazio Transcendental

















PENSAMENTOS FRIOS DO SUL
(Danças do Oriente)








Lábios que entoam sofisticações mais propícias ao momento de sono.
Beijo na noite se fez calado.
Canção de dormir como animal enjaulado.
Poesia pré-existente antes de você sumir.




Toque enfermo para platônicos feridos.
A cura que se pede é a água pura do sentir-se puro.
Pois de longe tudo se é perfeito.
E a verdade está encoberta, pois o frio está na cidade.




Sim.
Cidade que encanta pelo pôr do sol brilhante.
De face quase folclórica do estado.
Mas, no momento.
Não existe sol que extirpe o frio desta terra.
Pois me enquadrei no frio abstrato.
No concreto cinismo.
E você, aos aplausos de plateias.





Sua dança me fazia repensar sobre o corpo.
Corpo seu que me alegrava ao ver presente.
Ao som de músicas do oriente.
E a cada curva.
A cada passo perto a mim.
A palavra me sumia a boca.
Apenas grunhidos ou apenas vogais sem nexo saiam de minha garganta.
E você percebia tais atos.
Até gostava da situação.
Mas voltou ao palco.




Encantando o público.
Seu véu azul cobria seu rosto.
Como o mar cobre grandes mistérios.
Como o som do oriente trás canções de histórias de séculos atrás.
E eu escrevo ao som do frio.
Na madrugada desta terça.
Nos seus solos de segunda.




O frio do sul.
Você que trouxe talvez.
Mas o encantar da dança.
Misturada na exatidão dos movimentos.
Me fez escrever em ritmo discreto.
O tão difícil é saber.
E o quão difícil é amar.
Essa inexatidão de entender quem é você.





Talvez nunca entenda.
Talvez não é pra se entender.
E que Camões me ajude.
E que Saramago ria dos meus sons vocálicos sem sentido.
Pois vocês sabem o que é amar.
Sabem o que é ter as estrelas de Portugal aos seus pés.
Como navegantes em palavras de amor.
E, às vezes, sem ponto final.





Sem ponto final...
...?
Engraçado isso.
Parece que a poesia não termina.
Mas terminará por aqui.
Pois o palco está vazio.
Você foi embora com os aplausos de maestros.
Sua dança ficou em mim.
E eu fiquei no frio dessa madrugada.
O que te torna cada vez mais artista.
Sua capacidade de fazer poesia em dança.

domingo, 21 de julho de 2013

DISEQUILIBRIUM (Prelúdio)




Para todos os insanos...




Estou prestes a me enlouquecer...
   Legítimo disequilibrium constante de amar.
     Gritando a me perder na multidão do escárnio.
        Pois a mulher que amei nada mais foi do que uma paixão enfurecida.




Rapidão.
Deixe eu acender meu cigarro...



















Vazio Transcendental


















DISEQUILIBRIUM

(PRELÚDIO)





















Quero que esse mundo inteiro sofra das consequências do cinismo.
Pois todos vão terminar enjaulados nas ruas.
Bebendo tequila em copos quebrados.
E trepando na rua.
Em pleno meio dia.


Música ao fundo com esplêndida loucura.
Sua boca sútil, lábios desejados.
Por constantes sequências de salivares degustações.
De seus beijos contantes.
E tudo me cabe em memórias.
Mas, foda-se também.



Esse barulho movimentando minha cabeça.
Pedindo para que o coração voltasse a ativa.
Pois meu conhaque estava vencido.
E sua dança, fora do meu alcance.



Cantei um rock meio desafinado ao ambiente.
Mas encontrei o meio termo para a afinação.
Ouvi lentamente tudo o que estava me passando.
E prestei atenção no seu corpo.
Enquanto cada curva me fazia querer virar um espectador eloquente.
Ou um mero cadáver atípico.
Sendo que a cura de minha poesia míope.
Seria seu corpo se movimentando próximo a mim.


Fumaça.
Estrago.
Dostoiévski.
Absinto.


Fumo.
Estrôncio.
Sr.
Plebiscito.


Fonte.
Parágrafo.
Travessão.
Letra maiúscula.


Singelo.
Amor.
Saúdo.


De gestos.
Seu riso.
Seu corpo.
Amém.


Desapropriei da palavra esquecida aos quatro ventos.
Desperdicei do amor que me causou tanto drama.
Dancei sem sentir se a chuva estava fria ou simplesmente melodramática.
E fiquei sem saber se os amigos dos quais estavam bêbados.
Estavam chorando por meio do organismo alcoólico.



O trabalho redobrado na busca de dinheiro me exercitou a fama.
Fama que conquistei ao deixar de lado os bons momentos como um todo.
Pouco me fodia se aquilo tudo era banal.
Apenas fazia parte de minha ética.


Silenciei seu orgasmo achando que seu gemido não era o bastante.
Deixei um sangue derramar para ver se a cor não mudaria com o sentimento.
Pois o vermelho estava vencido.
E o sentimento me estava amargo.


Vendi versos para aqueles que gostam de ler.
Dos versos que fiz para aquelas que não me perceberam.
Fiz da flor meu veneno mais radical sobre lavagem cerebral.
E esqueci que o pôr do sol estava ali a todo instante.


A chuva me caia como algo natural.
As nuvens, o rebanho, tudo simples.
Algo banal.
Sua dança me passou despercebido.
Seu corpo se expressava em ritmo veloz.
Quando seu calor ultrapassou o limite do sentir poético.
E de tudo, seu sorriso me fez sorrir.


Decepções me cegaram e a vida se fez passar.
Quando as músicas de Wagner foram interpretadas com a loucura de Nietzsche.
E que se foda Nietzsche neste exato momento.
Pois o niilismo está totalmente infinito aqui.


Ih, cacete...Esqueci de viver.
Ainda bem que te encontrei a tempo.
Ainda bem que a encontrei enquanto dançava.
Pois nada se fez em vão.
Quando seu corpo se desdobrou ao som daquela canção.
E os acordes? Fiz enaltecer na fria linhagem dos versos.


Enquanto eu fumava.
Você vivia.
Enquanto eu escrevia.
Você vivia em minha escrita.
Enquanto eu bebia.
Você era meu vício alcoólico.
E enquanto você dormia.
Você vivia eternamente em meus sonhos.


Esqueci de viver.
Sim, esqueci.
Mas estou recuperando o tempo para correr atrás do prejuízo cinzento.
Pois o cigarro, parei de fumar.
Meus dias, únicos e inigualáveis.
Minha cabeça explodia em canções contra o tumor dos fatos.
Mas ainda bem que acordei a tempo.
Para me despedir.
E para te ver voltar a dançar.
Nesse palco.
Que me curou da poesia míope.
Que me tendenciou a querer romper tudo.
Tudo está sob equilíbrio.
Ou que estou tacando fogo em corpos já deteriorados pelo tempo.
E que neste momento, estou prestes a cortar a garganta de alguém que lhe fez grande mal.
E ninguém irá me impedir.
A menos que você intervenha.



domingo, 14 de julho de 2013

SÍNTESE DO AGORA



Vim dizer que ventos inquietantes estão batendo na minha porta.
Que eternos sentimentos se desvairaram perante todo o momento.
Perdi todo o rumo do qual um dia quis ficar.
Pois o eterno som dos ecos oriundos de rios distantes.
Fazem de todo sopro.
O mar de todas as causas de difíceis soluções.
Pois de minha casa, daqui uns dias não estarei mais.


Procuro incessantemente uma casa para alugar.
Daqui não queria me mudar.
Pois daqui eu terei de sair.
Faço da música algo que ninguém pode roubar.
Da minha poesia que digo além mar.
E durmo para que o outro dia possa ser mais brando quando o meu olhar cair.


Sem dizer uma palavra.
A sensação de decompor o sentimento.
E compor em palavras.
Se torna árdua tarefa para assuntos cotidianos.
Pois do normal corriqueiro dinheiro.
Foge de nossas mãos em meio a contas do ano inteiro.
O fatídico olhar das causas de nossas fraquezas.


Caminho para semanas com toques de fraqueza.
Mas ergo enquanto o novo me põem medo, porém, clareza.
De que tudo não é conforto.
E também, nem tudo é projétil disparado contra minha cabeça.
Nem tudo é solidão como se era certeza.
E que nada era acaso quando o novo me propôs amadurecimento de modo calado.



sábado, 6 de julho de 2013

RÉQUIEM DE UM TEMPO






Gostaria de expressar em palavras todo ardor de sentimentos.
Sentidos como poesia em sua verdadeira forma.
Pois de poesias são feitos os pássaros que alçam voos maiores.
E de suas imperfeições criam as mais belas palavras.


Não me importo se seu riso foi de fato condescendente.
Mas me foi o mais verdadeiro possível quando a falta de voar me fez sentir a brisa.
De um toque leve de sentimentos inexploráveis por falta de conhecimento.
Não se fazendo de alvo decadente.


Alce voos maiores.
Pois de sua dose se fez o acalmar dos meus ânimos.
De saberes tristes, de vozes em anis.
E de colorir saudades.


Me deixou como audácia de seu amor de primavera.
Aquele campo no qual marcou saudade.
De seu beijo ardente e de seu olhar confortável.
Que me expressou no desejo de me tornar calmo.
Um elo de prioridades.


Aquela cachoeira de saudades fáceis.
Me fez de um rumo claro o constante movimento das notas.
Pois conjugamos juntos o verbo amar naquela nossa clandestinidade.
Pois os tempos não nos era favorável.
E lá se foi nosso hino de clamor caçado.


A princípio, não soube descrever sua alma fatigada.
Pois de seus movimentos impostos pelo familiar gosto dos sentimentos.
Onde tudo o que você sentia era medo.
E o que eu sentia era clandestinidade.


Seus olhos me lembraram do nada
E do tudo.
Do tempo que nos foi propício.
Do tempo que nos foi marcado.
Nas arestas do tempo da Itália.
Ou de alguma cidade no interior da Suíça.
Pois de tudo era um pouco daquilo que me marcou época.
Que me marcou estoicismo.
Que me marcou saudade.
Que demarcou território.
Pois de tudo lhe era paixão.
E por mim.
Necessidade.


Exaltado me era simples.
De tudo seu sorriso era girassol.
Pois você acompanhava claramente o sol.
O mar daquelas causas secundárias.
E minha poesia.
Somente minha poesia.
Foi demarcada.
Apenas.
Saudade. 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

BRASIL, VERÁS QUE O FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA



HÁ QUEM DIGA QUE FUGIMOS DA BRIGA...



VINTE CENTAVOS É O TROCO DA BALA QUE NOS EMPURRA A GARGANTA.
E QUE AGORA IREMOS REIVINDICAR NÃO A BALA QUE NOS ATORDOOU O TROCO.
MAS A PEC 37 E SEU CALIBRE DISPARANDO CONTRA NOSSA LIBERDADE.
FUDIDA LIBERDADE QUE ADQUIRIMOS AO SANGUE DE PARIDEIRAS ELÉTRICAS.
PARECENDO SER RIDÍCULO AOS OLHARES DOS INTERESSES DOS CORRUPTOS DITATORIAIS.


BRASIL...
AGORA, VERÁS QUE O FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA.
NÃO FOGE POR VINTE CENTAVOS.
NÃO FOGE PELA COPA.
SENDO A NOSSA VAIA.
UM GRITO DE GUERRA.


GUERRA?
CONTRA O QUÊ EXATAMENTE?
CONTRA TUDO O QUE FINGIMOS ESTAR CERTO NESSAS DÉCADAS.
E QUE O GOVERNO POUCO SE FODE PRA NOSSA SAÚDE.
SENDO O CEMITÉRIO DE ANTIGAMENTE.
O SUS DE HOJE.


BRASIL.
NEM TEME, QUEM TE ADORA, A PRÓPRIA MORTE.
TERRA DOURADA.
QUE ENTRE OUTRAS MIL, ÉS TU BRASIL.
A MAIS FERRADA.
QUE OS FILHOS DESTE SOLO ERGAM GRITOS CONTRA TUDO O QUE SE FEZ FINGIR.
NESSA PÁTRIA AMADA?


BRASIL.
VERÁS QUE O FILHO TEU VOLTOU À LUTA.
E QUE AGORA.
OS VINTE CENTAVOS.
A PORRA DESSES VINTE CENTAVOS.
LEVANTOU UM GIGANTE ADORMECIDO.
E QUE AGORA BRASIL.


E QUE AGORA...


IREMOS BOTAR NOSSO BLOCO NA RUA.
MAS COM NOSSA FORÇA.
COM A GARRA DE QUEM FOI PRA RUA NO AI-5.
COM A GARRA DE QUEM OCUPOU A UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA NOS ANOS DE CHUMBO.
E QUE VLADO NÃO MORREU EM VÃO.
PROTESTANDO NOVAMENTE.
TALVEZ NÃO CONTRA OS MILITARES.
MAS CONTRA A CAÇA DE NOSSA LIBERDADE.
E CONTRA O SANGUE MANCHANDO PAREDES DE HOSPITAIS CADA VEZ MAIS LOTADOS.


PROTESTAMOS...
PELOS DIREITOS DAS MULHERES.
CONTRA O DESCASO DO GOVERNO. 
CONTRA A FALTA DA EDUCAÇÃO.
E CONTRA O DINHEIRO DESVIADO NO PAGAMENTO DE PUTAS DE LUXO PARA TREPAR COM SENHORES POLÍTICOS DO CONGRESSO.


E AGORA...


PRA FINALIZAR.
UNS...20 CENTAVOS PARA ACORDAR DE VEZ.
TODA POPULAÇÃO.


E BRASIL...
VERÁS QUE O FILHO TEU NÃO FUGIRÁ DA LUTA DESSA VEZ..
POIS ENTRE OUTRAS MIL.
ÉS TU BRASIL
UMA DAS MAIS FERRADAS.
E QUE OS FILHOS DESTE SOLO.
PARTIRAM PRA CIMA.
E SE FOR PRECISO.
PROTESTAR AINDA MAIS.
SEJA NA FAVELA, NO SENADO, NO CERRADO...
E AONDE FOR.


SENDO ASSIM, IREMOS COLOCAR.
NOSSO BLOCO NA RUA
NÃO DE CARNAVAL.
MAS NOS GRITOS VERDADEIROS DOS JOVENS DE ONTEM.
QUE VOLTARAM PARA NOS RELEMBRAR.
O QUÃO DIFÍCIL FOI VIVER NAQUELES TEMPOS.
E O QUÃO CEGO FICAMOS NESTES ANOS TODOS.
NESSA PÁTRIA AMADA.
TÃO ACLAMADA.
CHAMADA  BRASIL

sábado, 15 de junho de 2013

CARALHO, QUAL O MOTIVO DO PROTESTO MESMO?


Argumento impactante e de cegar os olhos
Foto: (Vitor R. Caivano/AP)


É lindo ver esse país tropical.
Abençoado por Deus.
E bonito por natureza.
Ser totalmente errôneo.
Putas escatológicas ao verdadeiro sistema.
Boquete no saco escrotal da política.
E que venham os protestos contra vinte centavos.
E que venha o coquetel molotov fazer parte dos argumentos.
Sendo que ninguém foi santo na história.






Disseram que usar palavrão não é argumento.

Foda-se se pensam assim.

Para muitos o sangue já é tese de conclusão de doutorado.






A polícia agiu de forma desnecessária.
Apelando a tudo.
Iniciando o inferno.
Onde o protesto iniciado não era mais o preço dos ônibus.
Mas a violência de ambos os lados.
E que venham manifestantes e policiais usando violência para se usar a violência.
Pois protesto é protesto.
Polícia, é bala de borracha.
E o cassetete é um castigo nas costas dos jovens.
Costas, mão, rosto, olho e genital.
E jovens são vistos como loucos marginais, drogados e embebecidos.



Protestem contra tudo.
Contra corruptos.
Contra esses hospitais de qualidade merda.
E não deixem os políticos impunes.
E todo mundo brigando feito animal louco estuprado.



Protestem com gritos.
Tinta no rosto.
Milhares de pessoas na rua.
E que deixe de ser apenas na Internet os protestos.



Pessoas são falsas ao idealizarem progresso.
Quero ver colocarem o rosto nas ruas para se fazer protesto.
Pois eu quero botar meu bloco na rua.
Ainda pretendo botar a fudida inteligência na rua.
Protestar sem o molotov incluso.
E não quebrar a porra do vidro das lojas ou incendiar latas de lixo.
Pois spray de pimenta irão jogar em seus olhos cegos de violência e raiva.
Que não adiantarão para se fazer baixar os vinte e fudidos centavos, caralho da porra!



Somos humanos.
Gostamos da violência.
O protesto é argumento, é exercício da política e de nossa democracia.
A violência é grotesca, cor de sangue.
Muitos querem o "Viva la Revolución".
Mas para que?
Para se ter sangue.



Revolução a respeito de que?
Derrubar somente os vinte centavos?
E os policiais iriam aceitar a violência como ato normal dos jovens?
E os jovens iriam aceitar pimenta estuprando seus olhos?
Derrubar a polícia com coquetel molotov para poder se fazer superior?
Para que esse caralho?
Pois enquanto não houver sangue espirrando no rosto.
Enquanto não houver gás lacrimogênio nas crianças.
Enquanto não houver bala de borracha em olhos de repórteres.
Vinte centavos não significa nada.



Então...
Viva la Revolución.
Viva la vida...
Um viva ao sangue imposto pelo ser.
Quem sabe um dia lutaremos racionalmente pelas mudanças.
E que venha a chuva limpar essa merda que cai sobre esse país tropical.
Abençoado por Deus.
E bonito por natureza.